JONAS, O CONTADOR DE HISTÓRIAS

 

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CORAGEM, O DOM ESQUECIDO

 

Deus, o Criador de todas as coisas, concede ao homem, espírito em processo evolutivo, a liberdade de escolher seus caminhos, e com isto traçar, construir seu próprio destino.

Independente da estrada escolhida, o homem se depara com as experiências adequadas para lhe proporcionar as lições responsáveis por sua evolução espiritual. O caminho a ser percorrido pode tornar-se mais árduo, mais penoso ou mais brando, dependendo da escolha feita, mas a realidade da vida demonstra que em qualquer percurso seguido encontram-se as experiências, as lições e o aprendizado necessários. Cabe, pois, ao homem percorrer a estrada escolhida com coragem, com determinação, com paciência, com disciplina e com entusiasmo, para conseguir amealhar em si os valores positivos que hão de elevá-lo aos patamares sublimes da espiritualidade.

Para aquele que se mantém ligado apenas aos resultados imediatistas da vida ou que vive em função de valores materiais, não é fácil perceber que em cada caminho encontra-se uma lição, que em cada passo existe um valor a ser aprendido e interiorizado.

O Criador não se preocupa com as dores ou com os sofrimentos que estejamos passando momentaneamente, pois nada é eterno, tudo se modifica, tudo evolui. Seu foco em relação a nós está na forma com que conseguimos superar as nossas vicissitudes, e com a postura de resignação ou revolta que estejamos desempenhando.

Aqueles que vivem preocupados com o futuro, quando visitados pela impaciência, costumam desistir da caminhada, escolher novos rumos, reiniciar experiências, vivendo em eterno conflito consigo mesmo. Apesar de ser necessário decidirmos aonde pretendemos chegar no futuro, é essencial entender que toda caminhada é constituída por pequenos passos que devem ser dados sempre no momento presente A felicidade não está em atingir-se este ou aquele ponto no futuro, mas em cada pequeno passo conquistado. A felicidade deve ser vista como a própria oportunidade de caminhar, de superar obstáculos, de aprender as lições da estrada, de adquirir conhecimento e sabedoria ao longo da relação com o mundo.

O sucesso e a felicidade dependem, fundamentalmente, de nosso ponto de vista e de nossa postura frente às experiências do mundo. Disse um jovem pensador que não existem homens fracassados, mas pessoas inconstantes que desistem de caminhar e que desertam da experiência.

A lei do trabalho e a lei do progresso estabelecem que aquele que procura acha e que aquele que caminha chega sempre ao ponto desejado.

Diante da dificuldade natural da caminhada, o homem costuma reclamar da falta deste ou daquele dom, desta ou daquela habilidade que lhe permitiriam ter sucesso diante dos obstáculos. Procura justificar suas falhas ou sua inconstância pela falta de recursos, pela falta de liberdade, pela ausência do poder e assim por diante, não percebendo que o importante é agir, que o essencial é viver.

Sobre a inconstância do homem na busca da felicidade e do sucesso em seus empreendimentos, selecionamos no livro Jesus no Lar, do Espírito Néio Lúcio, uma história intitulada "O Dom Esquecido".

A narrativa, como as outras provenientes desse livro, se passa em reunião na casa de Simão Pedro, onde Jesus aproveitava as discussões entre seus discípulos para transmitir lições de vida e de sabedoria.

Conta-nos assim Néio Lúcio:

Centralizava-se geral atenção em torno de curiosa palestra referente aos dons com que o Céu aquinhoa as almas na Terra, quando o Senhor comentou, paciente:

- Existiu um homem banhado pela graça do merecimento, que recebeu do Alto a permissão de abeirar-se do Anjo Dispensador dos dons divinos que florescem no mundo. Ante o Ministro Celeste, o mortal venturoso pediu a bênção da Mocidade.

Recebeu a concessão, mas, em breve, reconheceu que a juventude poderia ser força e beleza, mas também era inexperiência e fragilidade espiritual, e, já desinteressado voltou ao Doador sublime e solicitou-lhe a Riqueza.

Conseguiu a abastança e gozou-a, longo tempo; todavia, reparou que a retenção de grandes patrimônios provoca a inveja maligna de muitos. Cansando-se na defesa laboriosas dos próprios bens, procurou o Anjo e rogou-lhe a Liberdade.

Viu-se realmente livre. No entanto, foi defrontado por cruéis demônios invisíveis, que lhe perturbaram a caminhada, enchendo-lhe a cabeça de inquietudes e tentações.

Extenuado, em face do permanente conflito interior em que vivia, retornou ao Celeste Dispensador e suplicou o Poder.

Entrou na posse da nova dádiva e revestiu-se de grande autoridade. Entendeu, porém, mais cedo do que esperava, que o mando gera ódio e revolta nos corações preguiçosos e incompreensíveis e, atormentado pelos estiletes ocultos da indisciplina e da discórdia, dirigiu-se ao benfeitor e implorou lhe a Inteligência.

Todavia, na condição de cientista e homem de letras, perdeu o resto de paz que desfrutava. Compreendeu, depressa, que não lhe era possível semear a realidade, de acordo com os seus desejos. Para não ser vítima da reação destruidora dos próprios beneficiados, era compelido a colocar um grão de verdade entre mil flores de fantasia passageira e, longe de acomodar-se à situação, tornou à presença do Anjo e pediu-lhe o Matrimônio Feliz.

Satisfeito em seu novo desígnio, reconfortou-se em milagroso ninho doméstico, estabelecendo graciosa família, mas, um dia, apareceu a morte e roubou-lhe a companheira.

Angustiado pela viuvez, procurou o Ministro do Eterno e afirmando que se equivocara, mais uma vez, suplicou-lhe a graça da Saúde.

Recebeu a concessão. Entretanto, logo que se escoaram alguns anos, surgiu a velhice e desfigurou-lhe o corpo, desgastando-o e enrugando-o sem compaixão.

Atormentado e incapaz agora de ausentar-se de casa, o Anjo amigo veio ao encontro dele e, abraçando-o, paternal, indagou que novo dom pretendia do Alto.

O infeliz declarou-se em falência.

Que mais poderia pleitear?

Foi então que o glorioso mensageiro lhe explicou que ele, o candidato à Felicidade, se esquecera do maior de todos os dons que pode sustentar um homem no mundo, o dom da Coragem que produz entusiasmo e bom ânimo para o serviço indispensável de cada dia ...

Jesus interrompeu-se por alguns minutos; depois, sorrindo ante a pequena assembléia, rematou:

- Formosa é a Mocidade, agradável é a Fortuna, admirável é a Liberdade, brilhante é o Poder, respeitável é a Inteligência, santo é o Casamento Venturoso, bendita é a Saúde da carne, mas se o homem não possui coragem para sobrepor-se aos bens e males da vida, a fim de aprender a consolidar-se no caminho para Deus, de pouca utilidade são os dons temporários na experiência transitória.

E tomando ao colo um dos meninos presentes, indicou-lhe o firmamento estrelado, como a dizer que somente no Alto a felicidade perene das criaturas encontraria a verdadeira pátria.

A narrativa, como as outras provenientes desse livro, se passa em reunião na casa de Simão Pedro, onde Jesus aproveitava as discussões entre seus discípulos para transmitir lições de vida e de sabedoria.

Conta-nos assim Néio Lúcio:

Centralizava-se geral atenção em torno de curiosa palestra referente aos dons com que o Céu aquinhoa as almas na Terra, quando o Senhor comentou, paciente:

- Existiu um homem banhado pela graça do merecimento, que recebeu do Alto a permissão de abeirar-se do Anjo Dispensador dos dons divinos que florescem no mundo. Ante o Ministro Celeste, o mortal venturoso pediu a bênção da Mocidade.

Recebeu a concessão, mas, em breve, reconheceu que a juventude poderia ser força e beleza, mas também era inexperiência e fragilidade espiritual, e, já desinteressado voltou ao Doador sublime e solicitou-lhe a Riqueza.

Conseguiu a abastança e gozou-a, longo tempo; todavia, reparou que a retenção de grandes patrimônios provoca a inveja maligna de muitos. Cansando-se na defesa laboriosas dos próprios bens, procurou o Anjo e rogou-lhe a Liberdade.

Viu-se realmente livre. No entanto, foi defrontado por cruéis demônios invisíveis, que lhe perturbaram a caminhada, enchendo-lhe a cabeça de inquietudes e tentações.

Extenuado, em face do permanente conflito interior em que vivia, retornou ao Celeste Dispensador e suplicou o Poder.

Entrou na posse da nova dádiva e revestiu-se de grande autoridade. Entendeu, porém, mais cedo do que esperava, que o mando gera ódio e revolta nos corações preguiçosos e incompreensíveis e, atormentado pelos estiletes ocultos da indisciplina e da discórdia, dirigiu-se ao benfeitor e implorou lhe a Inteligência.

Todavia, na condição de cientista e homem de letras, perdeu o resto de paz que desfrutava. Compreendeu, depressa, que não lhe era possível semear a realidade, de acordo com os seus desejos. Para não ser vítima da reação destruidora dos próprios beneficiados, era compelido a colocar um grão de verdade entre mil flores de fantasia passageira e, longe de acomodar-se à situação, tornou à presença do Anjo e pediu-lhe o Matrimônio Feliz.

Satisfeito em seu novo desígnio, reconfortou-se em milagroso ninho doméstico, estabelecendo graciosa família, mas, um dia, apareceu a morte e roubou-lhe a companheira.

Angustiado pela viuvez, procurou o Ministro do Eterno e afirmando que se equivocara, mais uma vez, suplicou-lhe a graça da Saúde.

Recebeu a concessão. Entretanto, logo que se escoaram alguns anos, surgiu a velhice e desfigurou-lhe o corpo, desgastando-o e enrugando-o sem compaixão.

Atormentado e incapaz agora de ausentar-se de casa, o Anjo amigo veio ao encontro dele e, abraçando-o, paternal, indagou que novo dom pretendia do Alto.

O infeliz declarou-se em falência.

Que mais poderia pleitear?

Foi então que o glorioso mensageiro lhe explicou que ele, o candidato à Felicidade, se esquecera do maior de todos os dons que pode sustentar um homem no mundo, o dom da Coragem que produz entusiasmo e bom ânimo para o serviço indispensável de cada dia ...

Jesus interrompeu-se por alguns minutos; depois, sorrindo ante a pequena assembléia, rematou:

- Formosa é a Mocidade, agradável é a Fortuna, admirável é a Liberdade, brilhante é o Poder, respeitável é a Inteligência, santo é o Casamento Venturoso, bendita é a Saúde da carne, mas se o homem não possui coragem para sobrepor-se aos bens e males da vida, a fim de aprender a consolidar-se no caminho para Deus, de pouca utilidade são os dons temporários na experiência transitória.

E tomando ao colo um dos meninos presentes, indicou-lhe o firmamento estrelado, como a dizer que somente no Alto a felicidade perene das criaturas encontraria a verdadeira pátria.

Quantas vezes, em nossas vidas, não fazemos alegações como estas:

"- Ah! Se eu tivesse dinheiro! O que eu não faria...!"

"- Se eu tivesse autoridade, poderia concertar tanta coisa..."

"- Bem que eu gostaria, mas me falta a mocidade, me falta a juventude!"

Todas elas são a indicação de que o propósito, na realidade, é inexistente e servem apenas para justificar nossa deserção, nossa omissão, nossa inércia diante das situações do mundo.

Todos os dons temporários, mocidade, riqueza, liberdade, poder, saúde, inteligência trazem suas conseqüências naturais e são, isoladamente, impotentes para ajudar na superação dos obstáculos encontrados nas experiências dos caminhos escolhidos. Como nos disse Néio Lúcio, sem a coragem, sem a determinação, sem o entusiasmo que fortalecem o Espírito, dando-lhe paciência, resignação e disciplina, nenhum empreendimento terá sucesso, acarretando a inconstância no homem, fazendo-o fugir das dificuldades, ao invés de superá-las pelo esforço digno.

Entusiasmo significa "Deus em nós". Sem o entusiasmo nada se consegue pois o objetivo sempre nos parecerá mais longe, e já nos sentimos cansados antes mesmo de iniciarmos o empreendimento. Quando formos visitados pelo desânimo, diante de nossas provas, é sempre bom olharmos para trás, para o passado, para o contexto histórico de nossas vidas. Com certeza, verificaremos o quanto já andamos, o quanto já aprendemos, o quanto já crescemos. Esta atitude reforça a fé, faz renascer a esperança e germinar a coragem e o entusiasmo em nossos corações.

Não existe o caminho melhor ou pior. O que existe é sempre aprendizado, prova, experiência e vida a ser vivida. Portanto, devemos aproveitar as oportunidades que nos são concedidas, pelo direito que temos de escolher por onde caminhar, para determinarmos a forma receptiva de andar, vendo em cada pedra da estrada não um problema ou uma dificuldade mas uma grande oportunidade de aprender, de melhorar, de crescer em sabedoria. Caminhar com a postura do eterno aprendiz.

Não deixemos que as aflições ou os obstáculos sejam empecilhos para aquilo que desejamos. Sigamos em frente, andemos, cresçamos e o porvir nos será sempre melhor, trazendo novas luzes e oportunidade renovadas de viver. Não deixemos que o aparente fracasso nos deprima ou nos paralise a caminhada ou mesmo que nos faça desviar de nossos objetivos. Munamo-nos da coragem, do entusiasmo, do ânimo e continuemos com fé. Acreditemos que a felicidade que tanto procuramos está na oportunidade de caminhar, no dom da vida.

Que os dons desejados sejam sempre a coragem que traz a força, a resignação e a tolerância, bem como o entusiasmo, a disciplina e a paciência que proporcionam a persistência. Com eles seremos capazes de administrar bem nossas provas, usando de maneira adequada a mocidade, a riqueza, o poder, a inteligência, a saúde, aproveitando as lições da vida para crescer em direção ao Pai.

Que possamos sempre orar pedindo:

"Senhor, dai-nos a coragem e a determinação para mudarmos aquilo que podemos, a resignação diante das coisas que não podemos mudar e a sabedoria para sabermos distinguir umas das outras".

 

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