VOLTAR -JONAS Música: Traumerei - Schuman
CERTO POR LINHAS TORTAS
A obra do Criador está em toda parte. Todas as coisas visíveis e invisíveis são frutos de Sua vontade. O universo é conseqüência de Deus, inteligência suprema e causa primária de todas as coisas.
Deus é soberanamente bom e justo. Tudo o que acontece está ligado aos Seus desígnios e sempre ocorre dentro dos limites permitidos por Sua vontade. Nada é inútil, apesar de, para os homens, assim parecer eventualmente. Toda experiência, todo fato traz lições a serem aprendidas por aqueles que as vivenciam. Sua lei é regra de justiça, é regra de amor. Regra de justiça porque é a referência que delimita as ações e as reações, as causas e seus efeitos. É o padrão contra o qual somos avaliados a cada passo na jornada terrestre. Regra de amor porque determina que tudo no Universo se harmoniza pelo amor, pelo equilíbrio entre as criaturas, animadas ou inanimadas.
O amor a que Deus nos convida não é mera indicação emocional. É, antes de tudo, uma necessidade científica presente na vida universal. Tempos virão em que o amor será considerado e percebido pelo homem como elemento vital para o seu equilíbrio e para a sua vida, assim como o ar que respira, a comida com a qual se alimenta e o remédio com que cura seus males.
Sentir a presença de Deus dentro de si é tornar-se capaz de entender Sua justiça. Não existem seres privilegiados no Universo. A lei é o fiel da balança para todos os assuntos. Todos são igualmente aquinhoados com os recursos necessários, proporcionais a seus méritos e a suas condições de recebê-los e utilizá-los. São conhecidos os ditados: "Deus não entrega fardos pesados para ombros fracos", e "não se deve entregar pérolas aos porcos".
A falta eventual de fé leva as criaturas, dotadas de livre-arbítrio - dádiva que engrandece e responsabiliza os homens-, a reclamarem de sua sorte, com se esta dependesse apenas do acaso e da vontade do Criador e não fosse a conseqüência natural de sua própria escolha. As pessoas são as únicas responsáveis por suas vicissitudes.
Pensando bem, poderíamos perceber que toda reclamação demonstra uma fraqueza de espírito. Isto porque denota a presença da impaciência, da intolerância, da falta de resignação diante das cenas da vida e, em alguns casos, a incidência da prepotência e do orgulho.
A vontade de Deus manifesta-se a todo instante, em todos os fatos, de formas diferentes, mas sempre alinhada com sua lei de justiça. Nem sempre, entretanto, o homem consegue perceber os recursos que estão sendo disponibilizados ou as oportunidades que lhes estão sendo constantemente oferecidas na jornada evolutiva. É preciso muita atenção e vigilância para que se possa perceber a resposta de Deus às rogativas e aos anseios mais íntimos, declarados ou não declarados.
Todos os recursos fornecidos são úteis, têm uma finalidade de amor, e, portanto, visam proporcionar a aquisição de conhecimentos e de sabedoria na vida de relação. Mesmo que, eventualmente, o recurso possa ser de cunho material, sua destinação é sempre proporcional às condições existentes para as experiências evolutivas do Espírito.
Costuma-se dizer que "Deus escreve certo por linhas tortas". Isto significa que apesar de não conseguirmos identificar que os recursos necessários estão sendo proporcionados, eles estão sempre presentes e os resultados finais assim o demonstram.
Selecionamos no livro Jesus no Lar, do Espírito Néio Lucio, uma narrativa intitulada "A Resposta Celeste", que nos ajuda a perceber essas verdades.
Conta-nos assim Néio Lúcio:
Solicitando Bartolomeu esclarecimentos quanto às respostas do Alto às súplicas dos homens, respondeu Jesus para a elucidação geral:
- Antigo instrutor dos Mandamentos Divinos ia em missão da Verdade Celeste, de uma aldeia para outra, profundamente distanciadas entre si, fazendo-se acompanhar de um cão amigo, quando anoiteceu, sem que lhe fosse possível prever o número de milhas que o separavam do destino.
Reparando que a solidão em plena Natureza era medonha, orou, implorando a proteção do Eterno Pai, e seguiu.
Noite fechada e sem luar, percebeu a existência de larga e confortadora cova, à margem da trilha em que avançava, e acariciando o animal que o seguia, vigilante, dispôs-se a deitar-se e dormir. Começou a instalar-se, pacientemente, mas espessa nuvem de moscas vorazes o atacou, de chofre, obrigando-o a retomar o caminho.
O ancião continuou a jornada, quando se lhe deparou volumoso riacho, num trecho em que a estrada se bifurcava. Ponte rústica oferecia passagem pela via principal, e, além dela, a terra parecia sedutora, porque, mesmo envolvida na sombra noturna, semelhava-se a extenso lençol branco.
O santo pregador pretendia ganhar a outra margem, arrastando o companheiro obediente, quando a ponte se desligou das bases, estalando e abatendo-se por inteiro.
Sem recursos, agora, para a travessia, o velhinho seguiu pelo outro rumo, e, encontrando robusta árvore, ramalhosa e acolhedora, pensou em abrigar-se, convenientemente, por que o firmamento anunciava a tempestade pelos trovões longínquos. O vegetal respeitável oferecia asilo fascinante e seguro no próprio tronco aberto. Dispunha-se ao refúgio, mas a ventania começou a soprar tão forte que o tronco vigoroso caiu, partido, sem remissão.
Exposto então à chuva, o peregrino movimentou se para diante.
Depois de aproximadamente duas milhas, encontrou um casebre rural, mostrando doce luz por dentro, e suspirou aliviado.
Bateu à porta. O homem ríspido que veio atender foi claro na negativa, alegando que o sítio não recebia visitas à noite e que não lhe era permitido acolher pessoas estranhas.
Por mais que chorasse e rogasse, o pregador foi constrangido a seguir além.
Acomodou-se como pode, debaixo do temporal, nas cercanias da casinhola campestre; no entanto, a breve espaço, notou que o cão, aterrado pelos relâmpagos sucessivos, fugia a uivar, perdendo-se nas trevas.
O velho, agora sozinho, chorou angustiado, acreditando-se esquecido por Deus e passou a noite ao relento. Alta madrugada, ouviu gritos e palavrões indistintos, sem poder precisar de onde partiam.
Intrigado, esperou o alvorecer, e quando o sol ressurgiu resplandecente, ausentou-se do esconderijo, vindo a saber, por intermédio de camponeses aflitos, que uma quadrilha de ladrões pilhara a choupana onde lhe fora negado o asilo, assassinando os moradores.
Repentina luz espiritual aflorou lhe na mente.
Compreendeu que a Bondade Divina o livrara dos malfeitores e que, afastando dele o cão que uivava, lhe garantira a tranqüilidade do pouso.
Informando-se de que seguia em trilha oposta à localidade do destino, empreendeu a marcha de regresso, para retificar a viagem, e, junto à ponte rompida, foi esclarecido por um lavrador de que a terra branca, do outro lado, não passava de pântano traiçoeiro, em que muitos viajores imprevidentes haviam sucumbido.
O velho agradeceu o salvamento que o Pai lhe enviara e, quando alcançou a árvore tombada, um rapazinho observou-lhe que o tronco, dantes acolhedor, era conhecido covil de lobos.
Muito grato ao Senhor que tão milagrosamente o ajudara procurou a cova onde tentara repouso e nela encontrou um ninho de perigosas serpentes.
Endereçando infinito reconhecimento ao Céu pelas expressões de variado socorro que não soubera entender, de pronto, prosseguiu adiante, são e salvo, para desempenho de sua tarefa.
Nesse ponto de curiosa narrativa, o Mestre fitou Bartolomeu demoradamente e terminou:
- O Pai ouve sempre as rogativas mas é preciso discernimento para compreender as respostas dEle e aproveitá-las.
Assim, caro companheiro de jornada terrestre, se hoje lamentas tua sorte e reclamas das circunstâncias de tua vida; se hoje não consegues perceber a presença de Deus a te oferecer oportunidades e experiências; se hoje manténs tua fé a oscilar entre o crer e o descrer; se hoje ainda não consegues perceber que teus ombros estão preparados para as experiências que vivencias; se hoje não acreditas que Deus ouve as tuas súplicas mais secretas proporcionando-te as respostas que te são justas e os recursos de que necessitas; medita sobre esta breve narrativa que Néio Lúcio nos proporcionou.
Nem sempre a providência Divina vem da forma que desejamos, mas com certeza sempre vem ao encontro de nossas necessidades. Imperfeitos que somos, entretanto, não conseguimos alinhar nossas expectativas com nossas reais necessidades e, portanto, pecamos por falta de discernimento para compreender a resposta de Deus para saber aproveitá-la adequadamente.
Não perca tua fé, tua esperança, tua resignação diante das lutas terrenas. Acredita, caro companheiro, Deus está contigo e é por ti, assim como é por todas as criaturas do Universo. Deus é justiça e amor e sempre responde às tuas súplicas e desejos. Ele está dentro de ti!