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- ENFOQUES ESPÍRITAS
MEDIUNIDADE
O
s mundos físico e espiritual estão em permanente contacto.
Temos, não raro, a companhia de seres invisíveis que se aproximam de nós
pelos mais diversos motivos, que nos observam e podem influenciar-nos
sugerindo-nos, sem que o percebamos, idéias e atitudes.
A
informação acima chegou há 141 anos, com o Espiritismo, mas permanece
ainda ignorada pela grande maioria da humanidade. Esse intercâmbio,
contudo, sempre ocorreu, como atestam os numerosos fatos de atuação
ostensiva do plano espiritual registrados desde a antigüidade.
Indivíduos existem, chamados médiuns, dotados de uma organização
particular que os capacita a perceber a presença dos desencarnados e até a
transmitir-nos suas idéias, intermediando assim essa comunicação entre os
dois planos da vida que normalmente se dá de forma imperceptível. Sempre
houve médiuns e sua atuação foi marcante em nossa tradição ocidental,
judaico-cristã. Foram médiuns os grandes profetas hebreus e a mediunidade
era cultivada pelos primeiros cristãos como o atestam diversos documentos
daquela época. Paulo de Tarso, em uma de suas cartas, fala detalhadamente
da mediunidade, frisando a necessidade de ordem e disciplina nos trabalhos
mediúnicos (I Coríntios, cap. 12).
Algum tempo depois dessa fase -
cerca de um século - a mediunidade passou a ser menos praticada sendo mais
tarde completamente abandonada. Ocorreu essa mudança à proporção que, na
atividade cristã, se enfraquecia a fé, a preocupação com a vivência da
mensagem de Jesus e crescia a importância da instituição, que tornou-se
rica e poderosa. Os estudiosos das origens do cristianismo referem-se a
esse processo como a passagem do período dos carismas para o período
administrativo.
Considerada feitiçaria durante o período medieval,
incompreendida e classificada como patologia em época mais recente, a
mediunidade a serviço do bem foi sempre um canal por onde nos chegaram
valiosas exortações, advertências e orientações. Com o advento do
Espiritismo ela foi atentamente estudada tornando-se conhecidas suas
características e principalmente sua finalidade.
"O Livro dos
Médiuns", no qual o Codificador reuniu suas observações pessoais bem como
as instruções que recebeu da espiritualidade acerca do assunto, constitui
o tratado mais completo até hoje escrito sobre mediunidade. A Doutrina nos
informa ainda que a faculdade mediúnica resulta de compromisso assumido na
espiritualidade, antes da reencarnação, sendo o médium uma pessoa normal,
que deve atender às obrigações comuns da existência física, além das quais
realizará a tarefa mediúnica. Assim, pois, na visão espírita: "Mediunidade
é talento divino para edificar o consolo e a instrução entre os homens".
"Seara dos Médiuns" - Emmanuel, psicografia de Francisco
Cândido Xavier (cap. 77).
"O Livro dos Médiuns" - 2ª Parte - Cap. XVII
(220).
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