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- ENFOQUES ESPÍRITAS
SUICÍDIO
O
suicídio é um ato antinatural. Os interesses sadios, os laços afetivos e o próprio instinto de conservação constituem fatores de valorização da vida, proporcionando ao homem energia para a superação das situações difíceis.
Decepções amargas, sensação aguda de abandono, fracasso ou inutilidade, doenças atrozes ou mesmo a falta de sentido para a existência podem abalar a vontade e o discernimento, levando os que as experimentam a visualizar o fim do que lhes parece um sofrimento insuportável na fuga através da morte provocada, com a qual esperam a anulação da consciência, o mergulho definitivo no "não ser".
As religiões sustentam que a nossa verdadeira natureza é espiritual pelo que a vida não se encerra no túmulo. Todas elas condenam o suicídio como gesto infeliz de rebeldia ante a vontade de Deus e informam que o suicida se transfere para uma situação pior do que aquela da qual ele tentou fugir.
As correntes religiosas não reencarnacionistas classificam o autocídio como falta sem remissão, ficando os que o cometem condenados, eternamente, a padecimentos cruéis, sendo-lhes, em várias delas, interditadas as preces normalmente feitas pelos mortos, supostamente inúteis no seu caso. A razão repele tais afirmativas, incompatíveis com a idéia de um Criador justo e misericordioso, definido por Jesus como nosso Pai.
A Doutrina Espírita considera também o suicídio um erro grave, cujas conseqüências, sempre dolorosas, jamais, contudo, são eternas nem idênticas para todos, variando conforme as características pessoais do infrator e as circunstâncias - inclusive as pressões espirituais negativas - que o envolveram, levando-o àquela atitude.
Foi exatamente essa a situação constatada pelo Codificador ao colher os depoimentos de diversos suicidas, fato, aliás, que se repete em nossos dias nas reuniões mediúnicas dedicadas ao socorro de Espíritos sofredores. Vejam-se, por exemplo, as expressões de uma suicida que foi bondosamente acolhida e esclarecida na Sociedade Espírita de Paris: "Que luz de esperança acabais de fazer despontar em minha alma! É como um relâmpago na noite que me cerca. Obrigada, vou orar... adeus." Que diferença de uma condenação inapelável...
A Doutrina Espírita nos recomenda orar pelos suicidas, auxiliando-os também com nossas vibrações de simpatia e paz pois são irmãos nossos que se enganaram dolorosamente mas que, como nós, permanecem amparados pela bondade divina que os encaminha para a felicidade a que todos estamos destinados.
"O Céu e o Inferno" - 2ª Parte - Cap. V.
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