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SOFRIMENTO
O
sofrimento, físico ou moral, tem sido uma constante na existência humana. Doenças e guerras, epidemias e inundações bem como escravidão, mentira e vício são conhecidas causas de dor, aflição e perplexidade.
A constância e extensão de sua presença entre nós parece conflitar com a idéia, trazida pela religião, de um Criador Todo-Poderoso, dispensador dos dons da vida segundo critérios de sabedoria e justiça. Afinal, tendo o homem conseguido, num processo lento e laborioso, que as autoridades que o dirigem ajam, ou sejam obrigadas a agir, com discernimento e eqüidade, buscando o bem social , como admitir que Deus, que tudo governa, permitisse tanta desigualdade e tanta dor?
O sofrimento muitas vezes, senão quase sempre, surgia, assim, a seus olhos como ocorrência gratuita, sem causa e sem finalidade, espécie de falha no planejamento divino, o que levou alguns dirigentes religiosos a recorrerem a subterfúgios na tentativa de justificá-lo. Segundo eles, o sofrimento seria, por exemplo, a manifestação da "ira" de Deus ante a nossa impenitência ou a fraqueza de nossa fé ou, ainda, a punição, nos filhos, de erros cometidos pelos pais.
Jesus afirmou a utilidade do sofrimento declarando serem "bem-aventurados os aflitos", o que, à primeira vista, poderia parecer antinatural quando se considera a aspiração de todos à felicidade. Contudo, sabia o Mestre, perfeitamente, que dada a nossa condição de espíritos ainda pouco amadurecidos seria esse, durante muito tempo, o instrumento mais efetivo de nossa transformação para o bem, única maneira de sermos realmente felizes.
Com a reencarnação e as leis de progresso e causa e efeito, a Doutrina Espírita veio esclarecer que o sofrimento pode representar o resgate de débitos do passado, podendo, igualmente, significar esforço maior na conquista mais rápida de novos degraus na jornada evolutiva. Ele pode ocorrer ainda desvinculado de quaisquer necessidades de ajuste com as Leis Divinas no caso de Espíritos elevados que, por nos amarem, vêm até nós para nos ajudar e sofrem com a nossa dureza e a nossa ingratidão. Temos em Jesus o exemplo maior deste caso pois é inegável que com sua vinda e seu sacrifício o Mestre comunicou vigoroso impulso ao nosso progresso moral.
Assim, como bem observou o Codificador: "É dessa maneira que se explicam, pela pluralidade das existências e pela destinação da Terra como mundo expiatório que é, as anomalias que apresenta a distribuição da felicidade e da desgraça entre os bons e os maus neste mundo. Essa anomalia é apenas aparente, porque só encaramos os problemas em relação à vida presente; mas quando nos elevamos, pelo pensamento, de maneira a abranger uma série de existências compreendemos que a cada um é dado o que merece, sem prejuízo do que lhe cabe no mundo dos Espíritos, e que a justiça de Deus nunca falha".
"O Evangelho segundo o Espiritismo" - Cap. V (7).
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