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SOCIEDADE

A Doutrina Espírita ensina que Deus criou o homem para viver em sociedade, dando-lhe para isso a palavra e as demais faculdades necessárias à vida de relação.

Se é assim, por que se mostra tão cheio de problemas o convívio social? Por que tantos conflitos, barreiras e preconceitos gerando insegurança e sofrimento?

Não é difícil entendermos essa situação quando consideramos a condição espiritual deficitária de boa parte da humanidade, dominada, ainda, por acentuado primitivismo.

Para muitos trata-se de problema sem solução, afirmando, os que assim pensam que o ser humano é naturalmente mau - e aí está o seu engano - condenado a viver cada vez mais a dura realidade do cada-um-por-si, sendo inúteis os esforços para mudar esse quadro.

Seria certamente uma ilusão desconhecer a presença da ignorância e do egoísmo no relacionamento humano mas não é difícil identificar o progresso que, lenta, porém, seguramente, vem ocorrendo nesse campo. Na verdade, na análise lúcida do Dr. Bezerra de Menezes: "Há um grande progresso moral que viceja na Humanidade e que não podemos desconsiderar. Jamais houve tão grande interesse dos homens pelos seus irmãos, em tentativa de ajudá-los a levantar-se e marchar com dignidade. As atividades que visam ao enobrecimento do ser humano multiplicam-se, abençoadas, fomentando a alegria e a paz. As minorias raciais recebem respeito; os preconceitos vão sendo varridos do planeta; os direitos do cidadão, embora ainda violados, são defendidos; a ecologia consegue adeptos afervorados; as classes menos favorecidas, que padecem miséria sócio-econômica, já não são desprezadas, não obstante ainda não gozem das considerações que todos merecem; os proletários fazem-se ouvidos; cogita-se de multiplicar os órgãos de assistência social aos carentes de toda a ordem; as leis são mais benignas... São inumeráveis as conquistas morais da Humanidade em pouco mais de cento e cinqüenta anos, prenunciando aquisições ainda mais relevantes em relação ao futuro" (*).

A sociedade se torna cada vez mais humana e mais justa cabendo-nos participar desse processo através de nossa transformação pessoal para o bem, contribuindo assim, com nossa parcela pequena, mas de forma efetiva, para a implantação da fraternidade e da paz aqui na Terra.

(*) "Nas Fronteiras da Loucura" de Manoel Philomeno de Miranda (cap. 19).

"O Livro dos Espíritos" (766).

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