ENFOQUES ESPÍRITAS - DANILO VILLELAVOLTAR - ENFOQUES ESPÍRITAS

SE FOSSE UM HOMEM BOM...

Na Terra constitui fato comum o relacionamento, por vezes diário, entre indivíduos de condição espiritual muito diversa, o que pode ocorrer no ambiente profissional, no prédio onde residimos ou na própria família. Pessoas equilibradas, que se conduzem com responsabilidade e compreensão, devem conviver com personalidades imaturas em cujo comportamento escasseiam a boa vontade, a disposição de aprender e o respeito a normas e compromissos. É claro que se trata de experiência mais complexa, muitas vezes desagradável, surgindo então a idéia de que se esses irmãos difíceis se afastassem, a vida correria melhor, chegando alguns religiosos a dirigir-se a Deus para pedir justamente isso: que esse ou aquele companheiro se modifiquem, como que por encanto, ou sejam removidos de seu caminho.

A Doutrina Espírita reajusta nossa visão acerca desse ponto, como de tantos outros, esclarecendo que "se morre um homem de bem, cujo vizinho é mau homem, logo observais: 'Antes fosse este'. Enunciais uma enormidade, porquanto aquele que parte concluiu a sua tarefa e o que fica talvez não haja principiado a sua. Por que, então, haveríeis de querer que ao mau faltasse tempo para terminá-la e que o outro permanecesse preso à gleba terrestre?... Habituai-vos a não censurar o que não podeis compreender e crede que Deus é justo em todas as coisas. Muitas vezes o que parece um mal é um bem."

Afinal, se os espíritos ainda imaturos, padecendo ignorância e indisciplina, não encontrarem quem os aceite - o que não significa concordar sempre com eles ou apoiar tudo o que fazem - e eduque, sobretudo pelo exemplo, não lhes será muito mais difícil o progresso? A expressão "se fosse um homem bom teria morrido", usada quando alguém de má conduta escapa de um perigo, reflete essa visão restrita, incapaz de alcançar a dimensão espiritual de tais ocorrências.

Na verdade, podemos e devemos selecionar nossas companhias. Todos sabemos, contudo, que situações existem em que isso não é possível, cabendo-nos, então, encarar a convivência mais difícil com naturalidade, empregando paciência e humildade, compreensão e tolerância na construção do melhor, convencidos de que a sabedoria divina jamais nos coloca diante de problemas que ultrapassem nossas possibilidades de solução e que surgem conforme as nossas necessidades.

"O Evangelho segundo o Espiritismo" - Cap. V (22).

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