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REPOUSO

O trabalho é uma lei divina. "Sem o trabalho, o homem permaneceria sempre na infância, quanto à inteligência. Por isso é que seu alimento, sua segurança e seu bem-estar dependem do seu trabalho e da sua atividade". O trabalho constitui valioso meio de progresso pelos problemas que nos leva a enfrentar e pela experiência que nos proporciona.

E quanto ao repouso - igualmente uma disposição divina, pois todos necessitamos repousar - qual seria sua finalidade? Esclarece a Doutrina Espírita que ele "serve para a reparação das forças do corpo e também é necessário para dar um pouco mais de liberdade à inteligência, a fim de que se eleve acima da matéria".

Quando a afirmativa acima foi feita pelos espíritos encarregados da codificação (1857) a jornada diária de trabalho era de 12 horas e não havia férias, uma conquista posterior.

A evolução da tecnologia e das leis humanas permitiu que se reduzissem as jornadas de trabalho, que o lazer fosse reconhecido como uma necessidade, organizando-se e tornando-se mesmo uma verdadeira indústria. Por outro lado essa parcela maior de tempo livre na vida das pessoas constitui um fato novo, em termos históricos, uma possibilidade que, no passado, era privilégio de uns poucos sendo inacessível à grande maioria onde, aliás, se incluíam numerosíssimos escravos. Naturalmente, tratando-se de situação nova, muitos não se mostram ainda preparados para lidar adequadamente com ela e, quando livres da disciplina imposta pela atividade profissional, não sabem o que fazer, como empregar corretamente o tempo disponível, desperdiçando-o na conversação ociosa, no vício ou no descontrole emocional, ao invés de utilizá-lo para o entretenimento sadio, a convivência familiar ou a reflexão.

Descansar, dedicar-se à família, ampliar horizontes, essa a finalidade do tempo que não consagramos ao labor profissional e que pode, inclusive, ser também dedicado às atividades fraternas pois é fora de nossas horas de expediente que podemos visitar algum enfermo, escrever ou telefonar a alguém que vive sozinho etc., sem esquecermos que é nesse período que freqüentamos a Casa Espírita.

Todos, de certa forma, somos fiscalizados quanto ao nosso trabalho, devendo cumprir horários e preocupar-nos com a qualidade do que fazemos, o que não ocorre com o repouso quando ficamos entregues à nossa exclusiva orientação. Precisamos, assim, estar atentos para que, relativamente a nós, o repouso atinja sua finalidade, refazendo-nos fisicamente e enriquecendo-nos espiritualmente.

"O Livro dos Espíritos" (676 e 682).

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