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- ENFOQUES ESPÍRITAS
PROVIDÊNCIA DIVINA
C
hama-se providência divina o cuidado que o Criador dispensa a toda a criação.
Há quem negue esse fato. Os materialistas em primeiro lugar, vendo em nossa existência apenas um jogo de forças movimentadas pelo interesse pessoal, mais a intervenção cega do acaso. Afirmam outros, embora religiosos, que o Senhor Supremo estabeleceu leis perfeitas, que a tudo e todos governam por toda a eternidade, sendo Ele mesmo demasiadamente grande para ocupar-se com nossos problemas ínfimos.
O ser humano, ainda como homem primitivo, foi capaz de assinalar, intuitivamente, a presença de um poder superior atuante na vida fazendo dele, compreensivelmente, uma idéia muito imprecisa. Aquele poder seria, assim, fragmentário pois existiriam muitos deuses, e humanizado, apresentando as divindades os mesmos vícios e caprichos do homem.
O progresso lentamente aperfeiçoou essa concepção, corrigindo seus equívocos, alguns dos quais, no entanto, persistem em nossos dias. Muito tempo transcorreu até que a fase politeísta fosse superada modificando-se, igualmente, o entendimento quanto aos atributos divinos, reconhecendo-se que o Senhor Supremo não poderia ter limitações, ser representado em termos materiais, até com feições humanas. Além disso, sendo Ele soberanamente justo, deveria tratar a todos com absoluta eqüidade o que ainda não foi percebido por expressivo número de religiosos que concebem Deus como uma espécie de monarca, todo-poderoso, mas parcial, capaz de beneficiar a uns em detrimento de outros e sensível à bajulação dos crentes que, por isso, idealizaram
cerimônias e oferendas para obter o favor celeste.
Referindo-se a Deus como sendo nosso Pai, Jesus sancionou a idéia da providência divina, recomendando, em outra passagem, que não estivéssemos ansiosos por causa das coisas materiais "pois Deus sabe que precisais delas" (Mateus 6:32). Sem esquecermos ou renegarmos a vida material deveríamos, assim, em primeiro lugar, preocupar-nos com as necessidades do espírito.
Adotando os enunciados do Mestre, a Doutrina Espírita afirma que "Deus é onipresente, tudo vê, a tudo preside, mesmo às mais pequeninas coisas... Deus existe: não podemos duvidar. Ele é infinitamente justo e bom: é sua essência. Sua solicitude a tudo se estende: nós o compreendemos. Ele não pode, pois, querer senão o nosso bem, e é por isso que devemos ter confiança n'Ele: é o essencial. Quanto ao mais, esperemos ser dignos de compreendê-lo."
"A Gênese" - Cap. II (20 a 30).
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