ENFOQUES ESPÍRITAS - DANILO VILLELAVOLTAR - ENFOQUES ESPÍRITAS

PANTEÍSMO

Panteísmo é o sistema filosófico que identifica a divindade com o mundo, afirmando que Deus é o conjunto de tudo quanto existe. As idéias panteístas estiveram em voga nos séculos XVIII e XIX diminuindo depois o interesse por elas.

Não é difícil identificar as falhas de tal doutrina pois:

- Não se podendo conceber a divindade sem a infinita perfeição, cabe perguntar como um todo perfeito pode ser formado de partes tão imperfeitas?

- Estando as partes sujeitas à lei de progresso devemos admitir que o próprio Deus progride e, se é assim, deve ter sido, na origem dos tempos, muito imperfeito. Ora, como um ser imperfeito, formado de idéias e vontades tão diferentes, pôde conceber as leis harmoniosas e sábias que regem o universo?

Ao comentar as teses panteístas, mostrando a sua inconsistência, observou Allan Kardec que elas encontraram defensores porque, apesar de suas falhas, representavam uma tentativa de explicação do mundo e da vida, em contraste com a atitude dominante no campo religioso, onde era proibido reflexionar sobre tais questões, devendo-se aceitar, sem exame, o que fosse estabelecido pelas autoridades religiosas, ainda que em conflito com a lógica e os fatos. No panteísmo, assim como no materialismo, procurava-se discutir, raciocinar, embora equivocadamente, preferindo-se raciocinar em falso do que não raciocinar absolutamente.

O homem possui, intuitivamente, a noção de que a morte não é o fim e que um poder e uma ordem superiores governam a vida, apesar das aparências em contrário. Contudo, amadurecida a sua inteligência, tem ele necessidade de que tais conceitos recebam formulação lógica sem o que tende a rejeitá-los como falsos e irracionais.

Possuindo também dimensão religiosa, o Espiritismo preconiza - em consonância com a mentalidade moderna - uma postura crítica, tudo submetendo a exame e somente aceitando aquilo que, além de lógico, receba a sanção dos fatos.

É assim que a Doutrina evidencia os erros do materialismo e do panteísmo, demonstrando a continuidade da consciência individual após a morte bem como o funcionamento de uma perfeita justiça retributiva que a cada um oferece as conseqüências de suas obras.

A fé espírita é raciocinada e por isso inabalável de vez que "pode encarar a razão face a face em todas as épocas da humanidade."

"O Céu e o Inferno" - 1ª Parte - Cap. I (7 e 8).

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