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NASCER DE NOVO

A Doutrina Espírita esclarece que o Espírito, em sua trajetória evolutiva, retorna numerosas vezes à luta material, utilizando um novo corpo em cada estágio no plano físico e vivenciando também uma nova personalidade (nome, sobrenome, sexo, nacionalidade etc). É a experiência da reencarnação, que começa na fecundação e se encerra com a morte.

Necessária ao progresso do Espírito, ela sempre foi amplamente aceita no oriente e conhecida, no passado, em nossa tradição ocidental, inclusive nos ambientes cristãos, nos quais, contudo, passou a ser negada, a partir de certa época, por decisão das autoridades religiosas, já então profundamente envolvidas com o poder temporal. Quando se considera o enorme desenvolvimento posterior de nossa civilização ocidental-cristã, cuja influência se estendeu sobre larga parcela da humanidade, compreende-se porque hoje a reencarnação é ainda tão pouco conhecida.

Embora esse tema não seja tratado mais extensamente no Evangelho, Jesus é taxativo quando se refere a ele, afirmando, por exemplo, a Nicodemos que "é preciso nascer de novo" (João, 3:7), ou explicando aos discípulos que João Batista era o profeta Elias "que já veio, mas não o conheceram" (Mateus, 17:10 a 13). Passagens, por sinal, de explicação embaraçosa para os adeptos da Boa Nova que não admitem a reencarnação e, por isso mesmo, evitadas em seus comentários e pregações.

Com o Espiritismo a reencarnação voltou a ser considerada um fato natural, passível de observação e estudo, permitindo, juntamente com as leis de progresso e causa e efeito, uma compreensão melhor da justiça divina. Como observa Allan Kardec: "Sem o princípio da preexistência da alma e da pluralidade das existências, a maior parte das máximas do Evangelho são ininteligíveis e por isso têm dado motivo a interpretações tão contraditórias. Este princípio é a chave que deve restituir-lhes o verdadeiro sentido".

A literatura espírita posterior veio trazer mais detalhes sobre o processo reencarnatório, mostrando sua complexidade bem como os cuidados que o envolvem, o que, juntamente com os benefícios que ele proporciona - esquecimento temporário, infância favorável à educação e, mais tarde, novas experiências nos campos da família e do trabalho -, permitem defini-lo como valiosa concessão da bondade de nosso Pai, com vistas à nossa felicidade.

Desse conhecimento decorre igualmente uma tomada de posição mais consciente, por parte dos espíritas, no combate ao suicídio, ao aborto (exceto nos casos de risco para a gestante), à eutanásia e à pena de morte, por entenderem de maneira mais completa que a vida é um dom sublime de Deus.

"O Evangelho segundo o Espiritismo" - Cap. IV (17).

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