ENFOQUES ESPÍRITAS - DANILO VILLELAVOLTAR - ENFOQUES ESPÍRITAS

MUITAS VIDAS

Chama-se encarnação a união temporária do espírito imortal a um corpo perecível para mais um período de experiência e aprendizagem no mundo material. Esse estágio educativo se inicia na concepção e se encerra com a morte e, por se repetir inúmeras vezes, é também chamado de reencarnação.

Trata-se de conceito muito antigo presente em religiões orientais milênios antes da Era Cristã, havendo, no entanto, certa imprecisão, pois aceitava-se, então, a metempsicose, isto é, a possibilidade de seres humanos renascerem em corpos de animais, o que sabemos atualmente ser impossível. Em nossa época, pesquisadores sem qualquer vínculo com o Espiritismo alguns deles ligados a universidades, produziram trabalhos valiosos onde se patenteia a realidade das vidas sucessivas.

Conhecida e aceita por eminentes trabalhadores dos primeiros tempos do Cristianismo, a tese reencarnacionista passou, mais tarde, a ser negada pelos dirigentes cristãos, assim permanecendo até hoje, o que torna difícil oferecer explicações para as desigualdades e injustiças freqüentes na trajetória humana e perfeitamente compreensíveis à luz dos conceitos de reencarnação, causa e efeito e progresso. Sem eles, os sofrimentos, por exemplo, seriam testes - embora tão aleatoriamente aplicados - para que se merecesse a felicidade na vida espiritual. Além disso, pessoas profundamente diferentes em inteligência e, sobretudo, em moralidade, desfrutariam de benefícios idênticos e eternos após a morte porque o sacrifício de Jesus teria resgatado seus pecados, colocando-as em estado de pureza ante as leis divinas. Fala-se, por isso, no sacrifício vicário (palavra que significa substituto) de Jesus que, segundo essa concepção, expiou nossas faltas sofrendo em nosso lugar.

O Mestre conhecia perfeitamente a reencarnação e, em várias ocasiões, se refere a ela em Seus ensinos, afirmando, certa feita, a Nicodemos, ser necessário "nascer de novo" (João, 3:3), ou declarando explicitamente que João Batista era o profeta Elias "que havia de vir" (Mateus, 17:10 a 13).

Dificuldade, ou facilidade, que, independentemente do que tenhamos feito se apresentem em nossa existência, têm origem em nosso passado reencarnatório, constituindo sempre oportunidade valiosa para a conquista de valores espirituais.

A noção consoladora de que uma justiça perfeita, associada à misericórdia, governa nossas vidas, encontra explicação clara na Doutrina Espírita com a qual ficamos sabendo que alegria e paz representam invariavelmente a colheita, feliz, da semeadura do bem.

"O Evangelho segundo o Espiritismo" - Cap. IV (5 a 11).

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