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- ENFOQUES ESPÍRITAS
JULGAR
À
primeira vista, a recomendação de Jesus sobre o julgamento
("Não julgueis para não serdes julgados" - Mateus 7:1) parece conter uma
proibição a que se avalie, do ponto de vista moral, o que se passa a nossa
volta.
No entanto, o mal, ou seja, a desarmonia em relação às Leis
Divinas, certamente ocorre num planeta como o nosso e seria ilusão ver em
toda a parte só o bem.
Não é difícil, contudo, entender a
prescrição do Mestre quando se faça a distinção entre fato e pessoa, entre
o erro e aquele que o comete. Não devemos condenar aquele que erra
(denegrir, desejar-lhe o mal) mas nada impede que vejamos o mal, onde ele
exista. Por outro lado, julgar, não no sentido dos tribunais humanos que
devem proferir sentenças necessárias ao funcionamento da sociedade, mas no
de definir a responsabilidade moral de alguém perante determinado fato, é
tarefa inacessível a nós, que jamais conhecemos completamente todas as
circunstâncias que envolvem uma ocorrência qualquer nem as motivações e
influências a que estiveram submetidas as pessoas que dela participaram.
Só a sabedoria divina, que possui esse conhecimento, pode realmente julgar
e o faz com amor, envolvendo em misericórdia suas sentenças.
O
vício ou a desonestidade são erros patentes que nos cumpre evitar ou mesmo
corrigir, quando isto for de nossas atribuições pois temos a
responsabilidade de trabalhar pelo progresso de nossos semelhantes,
sobretudo daqueles cuja tutela nos foi confiada. Mas deveremos agir sempre
com moderação, com a preocupação de educar e nunca de agredir.
Por
fim, sabendo-se que a caridade constitui um dever, existiriam casos em que
convenha se desvende o mal de outrem? A esta indagação assim respondeu S.
Luiz, em "O Evangelho segundo o Espiritismo": "É muito delicada esta
questão e, para resolvê-la, necessário se torna apelar para a caridade bem
compreendida. Se as imperfeições de uma pessoa só a ela prejudicam,
nenhuma utilidade haverá nunca em divulgá-las. Se, porém, podem acarretar
prejuízo a terceiros, deve-se atender de preferência ao interesse do maior
número. Segundo as circunstâncias, desmascarar a hipocrisia e a mentira
pode constituir um dever, pois mais vale caia um homem, do que virem
muitos a ser suas vítimas. Em tal caso, deve-se pesar a soma das vantagens
e dos inconvenientes."
"O Evangelho Segundo o Espiritismo" - Cap. X (19 a
21).
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