ENFOQUES ESPÍRITAS - DANILO VILLELAVOLTAR - ENFOQUES ESPÍRITAS

INCRÉDULOS

Ao discorrer em "O Livro dos Médiuns" sobre a forma adequada de propagar o Espiritismo, Allan Kardec foi incisivo: antes do trato com a mediunidade era necessário o conhecimento dos princípios doutrinários, bem como das condições e características do intercâmbio com a Espiritualidade. Assistir alguém, desinformado, a uma reunião mediúnica poderia ser contraproducente, suscitar dúvidas ao invés de convencer, o que levou o Codificador a "não admitir, em nossas sessões experimentais, senão quem possua suficientes noções preparatórias, para compreender o que ali se faz, persuadido de que os que lá fossem, carentes dessas noções, perderiam o seu tempo, ou nos fariam perder o nosso".

Nesse mesmo capítulo, analisando a reação negativa de alguns à mensagem espírita, focalizou Kardec a situação dos que ele chamou de "incrédulos de má vontade": pessoas que dizendo-se espiritualistas, pelo menos de nome, são tão refratárias quanto os materialistas, atitude, por sinal, muito freqüente na atualidade. Os que a adotam costumam afirmar que crêem em Deus e respeitam todas as religiões e, eventualmente, até declaram pertencer a alguma, quando convocados a fazê-lo, para fins estatísticos. No fundo, porém, não possuem o menor interesse pela problemática religiosa. A preocupação dominante em tais indivíduos é a vida material, com suas exigências e atrativos, não lhes interessando colocar-se diante de recomendações e princípios onde iriam deparar com a condenação do egoísmo, das ambições e das vaidades em que se comprazem. E a Doutrina Espírita, com seu apelo à lógica e aos fatos, e o seu convite à reflexão, talvez ainda mais os preocupe nesse particular.

"Lamentá-los é tudo o que se pode fazer", afirma o Codificador, acrescentando, mais adiante: "Dirigi-vos, portanto, aos de boa vontade, cujo número é maior do que se pensa, e o exemplo de suas conversões, multiplicando-se, mais do que simples palavras, vencerá as resistências. O verdadeiro espírita jamais deixará de fazer o bem. Lenir corações aflitos; consolar, acalmar desesperos, operar reformas morais, essa a sua missão. É nisso também que encontrará satisfação real".

"O Livro dos Médiuns" - 1ª parte, Cap. III (22 e 30).

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