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- ENFOQUES ESPÍRITAS
HUMANIDADE TERRENA
Q
uando o Espiritismo surgiu, em 1857, as informações de que se dispunha acerca da vida após a morte eram - sobretudo em nossa tradição ocidental - poucas e pouco precisas. Pensava-se, por exemplo, que uma nova alma era criada para cada criança que nascesse e que a população espiritual, em conseqüência, se formava e crescia à medida que as pessoas iam morrendo. Supunha-se também que essa população se dividia em dois grupos: os que viviam felizes no Céu e aqueles que tinham sido condenados ao inferno, posições estas definitivas, que deveriam perdurar para sempre. Existia ainda quem admitisse a existência de uma terceira possibilidade, o purgatório, com sofrimentos semelhantes aos do inferno, mas de onde o Espírito poderia passar ao Céu graças às preces feitas em seu benefício. Considerando-se as deficiências morais tão evidentes no ser humano, acreditava-se que a quantidade de moradores do inferno fosse muito maior do que a do Céu.
Graças à mediunidade, tornou-se possível conhecer esse mundo invisível verificando-se, então, ser errônea a crença de que existiam apenas duas situações após a morte - o que implicaria manifestarem-se nas reuniões mediúnicas exclusivamente grandes sofredores ou Espíritos que gozassem de uma felicidade beatífica - constatando-se, pelo contrário, ser extremamente variada a situação dos comunicantes que mostravam, em linhas gerais, as mesmas diferenças em termos de inteligência e moralidade encontradas na Terra.
O Espiritismo veio elucidar esse ponto esclarecendo que as coletividades encarnadas e desencarnadas compõem a humanidade terrena, constituída em sua maioria por individualidades ainda pouco amadurecidas e sujeitas, por isso, a desvios e equívocos com relação às Leis Divinas. A reencarnação faz com que periodicamente mudemos de posição, ora vivendo na Espiritualidade, ora estagiando na matéria.
A Doutrina Espírita mostra, por outro lado, que os progressos da Ciência e as conquistas sociais que caracterizam a civilização e a diferenciam da barbárie não significam que Deus esteja criando modernamente espíritos melhores do que no passado, do mesmo modo que o fato de desfrutarmos atualmente de tais benefícios não nos torna privilegiados em relação aos que viveram antes que eles surgissem. Somos sempre os mesmos seres que em nossa trajetória evolutiva vivenciamos as sucessivas etapas históricas, chegando aos dias atuais.
Devemos lembrar, por fim, que Jesus é o governador espiritual de nosso planeta, conduzindo-nos sábia e amorosamente para a felicidade, na plena integração com o bem, situação a que todos chegaremos um dia, pois conforme ele mesmo afirmou: "das ovelhas que o Pai me confiou, nenhuma se perderá" (João, 6:39).
"O Livro dos Espíritos" - 76 a 87.
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