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- ENFOQUES ESPÍRITAS
HÁ ESPÍRITOS?
A
o redigir a Introdução de "O Livro dos Médiuns" recomendou Allan Kardec a leitura preliminar de "O Livro dos Espíritos" para todo aquele que desejasse tratar seriamente da mediunidade. Sabendo, contudo, que isso nem sempre ocorreria, procurou o Codificador atender, de alguma sorte, a esta necessidade, antecedendo o estudo da faculdade mediúnica de uma primeira parte, extensa, em que esclarece as dúvidas e equívocos mais comuns acerca da nova Doutrina. E nessa parte o primeiro capítulo tem o título "Há Espíritos?", surpreendente, à primeira vista, numa obra destinada a tratar justamente da comunicação com os Espíritos. Tal providência, no entanto, reflete a maturidade e senso pedagógico de Kardec pois ele não ignorava que muitos iriam se aproximar da mediunidade sem aquele conhecimento trazendo, pelo contrário, noções imprecisas ou mesmo errôneas sobre a natureza dos Espíritos e sua situação depois da morte. Daí seu cuidado em esclarecer, desde logo, alguns pontos essenciais para o entendimento do restante da obra.
Existem pessoas que após estarem em contato com a mediunidade, às vezes durante anos, dela se afastam, aderindo a outras crenças onde ela é proibida. Sem qualquer idéia de crítica, vemos que tais companheiros na verdade, nunca souberam exatamente o que estavam fazendo. Era a mediunidade, quase sempre autêntica, mas voltada de forma exclusiva para os interesses imediatos, sem contribuir para que seus usuários ampliassem suas concepções sobre a vida e o mundo, adquirindo a "fé raciocinada" capaz de encarar a razão face a face e, portanto, inabalável.
O Codificador mostra, assim, naquele capítulo, que os Espíritos são as almas dos homens libertas do corpo pelo fenômeno da morte; são inteligências livres e atuantes, embora invisíveis; não se acham presos a determinados lugares para a felicidade ou o sofrimento pois
encontram em si mesmos as conseqüências justas dos atos praticados durante a existência material; que o envoltório fluídico que possuem - o perispírito - que durante a encarnação lhes permitiu dirigir seu próprio corpo, lhes possibilita igualmente, sob certas condições, atuar sobre o organismo dos médiuns, fazendo-os falar, escrever, ouvir, ver etc.
Em suma, entendia o Prof. Rivail que o emprego proveitoso da mediunidade requeria, além de seriedade e desinteresse pessoal, conhecimento sobre as condições de vida na Espiritualidade e, naturalmente, sobre como se efetivava o contato entre os médiuns e as entidades comunicantes.
É por isso que nos Centros Espíritas, acompanhando a orientação do Codificador, primeiro se estuda a mediunidade para depois praticá-la.
"O Livro dos Médiuns" - 1ª Parte - Cap. I.
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