ENFOQUES ESPÍRITAS - DANILO VILLELAVOLTAR - ENFOQUES ESPÍRITAS

FENÔMENO E CONVICÇÃO

Jesus restaurou a saúde de inúmeros enfermos. Ele, que viera para os doentes do espírito, sendo mesmo chamado o médico das almas, não desdenhou curar também os corpos sempre que isto se mostrasse útil e possível à luz das Leis Divinas.

E, à medida que o conhecimento de seus poderes se espalhava, mais doentes o procuravam, ou lhe eram levados, não sendo raras nos relatos da Boa Nova passagens do tipo "... todos que tinham doentes atingidos de males diversos traziam-nos, e Ele, impondo as mãos sobre cada um, curava-os" (Lucas 4:40).

Tais lembranças sugerem naturalmente duas considerações, sendo a primeira delas o fraco poder de convencimento dos fatos incomuns, que causam impacto, os chamados milagres. Jesus os produziu generosamente ao longo de Seu ministério sem que isso suscitasse mais amplo apoio ao Seu trabalho, ficando Ele, inclusive, completamente só nos momentos mais difíceis. A segunda é o evidente desinteresse da grande maioria pela dimensão espiritual da vida, com suas conhecidas conseqüências: imediatismo, materialismo, ilusão... e sofrimento.

A cura de um cego de nascença descrita no Evangelho de João (capítulo 9, 1 a 34), ilustra bem essas dificuldades. O fato é irrecusável, pois se passa com pessoa bem conhecida, que nasceu cega, pedia esmolas para sobreviver e tem a visão restaurada pelo Mestre. O acontecimento extraordinário desperta, contudo, reações surpreendentes. Alguns dos que conheciam o cego chegam a duvidar do ocorrido, afirmando "deve ser alguém parecido com ele". Por outro lado, fariseus, que se apresentavam como modelos de vivência religiosa, aos quais o ex-deficiente foi levado, mostraram indignação, pois a cura se dera num sábado, dia que a lei - entenda-se, a convenção humana - consagrava ao repouso... Não são registradas manifestações de alegria pela bênção recebida por aquele homem nem qualquer mostra de interesse por Jesus e Sua mensagem. A única exceção é o próprio beneficiário que ao ser indagado de forma insistente e até constrangedora sobre o que pensa de Jesus, afirma, corajosamente: "É um profeta".

Foi por conhecer profundamente a natureza humana que Allan Kardec baseou a divulgação doutrinária principalmente no estudo e na conscientização dos adeptos sobre as realidades espirituais e não na produção de fenômenos que impressionam, deslumbram, mas logo são esquecidos.

E é seguindo essa orientação que nas Casas Espíritas, onde, graças aos recursos da oração e da fluidoterapia, tantos alcançam a melhoria da saúde, todos são invariavelmente informados quanto à necessidade da saúde do espírito, ou seja, a superação de vícios e ilusões e a prática do bem como base da saúde e da felicidade reais.

"A Gênese" - Cap. XV (24).

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