CORPO E ALMA
"N
ascer, morrer, renascer ainda e progredir incessantemente, tal é a lei".
Nossa doutrina sustenta a idéia da anterioridade da alma, isto é, já
existíamos antes de nosso nascimento, revestindo-nos, temporariamente, de um
corpo material, para a realização de tarefas que nos permitam adquirir
experiência e aprimorar a inteligência e os sentimentos.
Sendo assim, como se estabelece, a cada renascimento, a ligação corpo-alma?
Como é possível a um ser incorpóreo - o espírito - ligar-se a algo material?
E quando é que o espírito se liga ao novo corpo que irá utilizar por período
mais ou menos longo, às vezes, durante muitas décadas?
A codificação esclarece que a união do espírito com a matéria não é direta.
O espírito se acha revestido de um envoltório fluídico, semi-material,
chamado perispírito, através do qual se liga ao veículo físico. É o
perispírito que é visto pelos médiuns videntes, normalmente guardando a
aparência da última encarnação e que pode também ser visto e até fotografado
nas experiências de ectoplasmia (materialização).
Quanto ao momento em que essa ligação ocorre, esclareceram os orientadores
espirituais que ela se efetua no ensejo da concepção e é irreversível no
sentido de que outro espírito não poderia tomar o lugar daquele já ligado ao
novo corpo. Obras espíritas posteriores à codificação ampliaram essas
informações mostrando, inclusive, o que se passa com o espírito reencarnante
no período de vida intra-uterina, até o nascimento.
A gestação, que constitui um processo extremamente complexo do ponto de
vista biológico, é ainda mais impressionante por sua complexidade e
sublimidade em seu aspecto espiritual, nela se patenteando de forma
inequívoca a bondade e a sabedoria presentes nas Leis Divinas, que funcionam
sempre em nosso benefício. Daí ser o aborto, exceto quando praticado para
resguardar a vida da gestante, considerado um crime de sérias conseqüências
para os que o cometem pois, além da interrupção de uma vida, é truncado todo
um cuidadoso planejamento da espiritualidade superior destinado a
proporcionar progresso àquele espírito e aos que com ele iriam conviver.
Um novo nascimento, mesmo nas condições mais difíceis, constitui valioso
investimento da vida que jamais dilapidaremos sem graves prejuízos. Por isso
valorizar a vida é a diretriz adotada pelos espiritistas que, além do
aborto, se opõem também à eutanásia, ao suicídio e à pena de morte.
"O Livro dos Espíritos" (344 a 360).