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CORPO E ALMA

"Nascer, morrer, renascer ainda e progredir incessantemente, tal é a lei".
A frase acima acha-se inscrita no túmulo de Allan Kardec, em Paris, e, de certa forma, constitui preciosa síntese dos princípios espíritas.


Nossa doutrina sustenta a idéia da anterioridade da alma, isto é, já existíamos antes de nosso nascimento, revestindo-nos, temporariamente, de um corpo material, para a realização de tarefas que nos permitam adquirir experiência e aprimorar a inteligência e os sentimentos.

Sendo assim, como se estabelece, a cada renascimento, a ligação corpo-alma? Como é possível a um ser incorpóreo - o espírito - ligar-se a algo material? E quando é que o espírito se liga ao novo corpo que irá utilizar por período mais ou menos longo, às vezes, durante muitas décadas?

A codificação esclarece que a união do espírito com a matéria não é direta. O espírito se acha revestido de um envoltório fluídico, semi-material, chamado perispírito, através do qual se liga ao veículo físico. É o perispírito que é visto pelos médiuns videntes, normalmente guardando a aparência da última encarnação e que pode também ser visto e até fotografado nas experiências de ectoplasmia (materialização).

Quanto ao momento em que essa ligação ocorre, esclareceram os orientadores espirituais que ela se efetua no ensejo da concepção e é irreversível no sentido de que outro espírito não poderia tomar o lugar daquele já ligado ao novo corpo. Obras espíritas posteriores à codificação ampliaram essas informações mostrando, inclusive, o que se passa com o espírito reencarnante no período de vida intra-uterina, até o nascimento.

A gestação, que constitui um processo extremamente complexo do ponto de vista biológico, é ainda mais impressionante por sua complexidade e sublimidade em seu aspecto espiritual, nela se patenteando de forma inequívoca a bondade e a sabedoria presentes nas Leis Divinas, que funcionam sempre em nosso benefício. Daí ser o aborto, exceto quando praticado para resguardar a vida da gestante, considerado um crime de sérias conseqüências para os que o cometem pois, além da interrupção de uma vida, é truncado todo um cuidadoso planejamento da espiritualidade superior destinado a proporcionar progresso àquele espírito e aos que com ele iriam conviver.

Um novo nascimento, mesmo nas condições mais difíceis, constitui valioso investimento da vida que jamais dilapidaremos sem graves prejuízos. Por isso valorizar a vida é a diretriz adotada pelos espiritistas que, além do aborto, se opõem também à eutanásia, ao suicídio e à pena de morte.

"O Livro dos Espíritos" (344 a 360).

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